O Rafael me mandou um e-mail há algum tempo pedindo ajuda para decorar seu apartamento.
Meu nome é Rafael e moro sozinho, num ap de 45m2.
Conheci o seu blog num pesquina na net e gostei bastante, mas eu não consigo nunca tirar da minha casa um clima de improviso e coisas desconexas.
Estou brigando há algum tempo com minha sala, e ja ouvi comentário de todo tipo da cortina do sofá e do tapete…quase sempre detonando toda a combinação.
Me ajuda a dar um jeito nisso. 
A altura da cortina está errada? melhor encurtar? trocar? colocar uma faixa para alongar? devo subir, baixar pra tocar o chão? O sofá, tiro esse xale de cima, coloco de outra cor? troco o tapete? Você recomenda algum lustre? Apesar de todo mundo torcer o focinho para minha casa ninguém consegue bem me dizer o que tenho que fazer.
Me ajuda!
Abraços,
Rafael
Trocamos alguns e-mails para eu entender melhor o que ele queria, e ele me enviou uma foto de inspiração:
Uma imagem que escolhi que tem os sentimentos que eu gosto e quero trazer pra minha casa é essa de uma cidade de Minas que se chama Tiradentes, gosto das ruas de pedras, dos matinhos que nascem nas frestas dos pátios das igrejas de pedras, das ladeiras e das casas com as bordas nas janelas. O meu sentimento nessa cidade é de que o tempo pode correr lá fora no ritmo dele e aqui ele corre no ritmo que eu quero. Gosto do silêncio, poder ver e sentir a brisa entrando em casa, aparência de limpeza e a beleza.
Então vamos lá… para quem tiver interesse em se aprofundar em algum tema, é só clicar nas palavras destacadas. Elas vão te levar a posts relacionados ao assunto.
Vamos partir desse conceito que o Rafael escolheu, que a casa tenha essa cara colonial para ele se sentir em um mundo onde o tempo não passa, super aconchegante e quase rural. Para alcançar esse objetivo, a escolha de tons terrosos e tecidos mais rústicos para o tapete, o xale e a cortina foram perfeitos. Mas o rack da TV e a mesa de jantar, em linhas retas e madeira lisinha, brilhante, parece que vieram de outro lugar, não ajudam a transmitir as sensações que ele quer.
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1. Madeira de demolição ou madeiras mais rústicas ajudam a trazer o aconchego e o clima rural para dentro de casa. Aqui também uma boa sugestão de luminária.
O centro de mesa claramente não pertence a essa sala, ele é super contemporâneo e frio. Caso você goste do contraste entre o rústico e o moderno, escolha uma peça de destaque para que fique claro que é uma brincadeira e não um improviso de peças desconexas. Uma mesa de laca com os bancos em madeira de demolição, ou cadeiras de acrílico ao redor de uma mesa super rústica, por exemplo, ficam demais!

2. Todo o ambiente é super rústico e as cadeiras Phanton são o oposto disso, o contraste é marcante e indiscutivelmente proposital.
Esse contraste também pode ajudar a não transformar sua casa em um cenário de novela, temática demais. Use a inspiração sem a obrigação de reproduzir exatamente uma casa do interior de Minas. A toalha de mesa escolhida fica no limite entre a inspiração e o ambiente temático, você não acha?
Aproveitando a foto acima, em que as paredes são de pedra, vamos falar de revestimentos. Pedras, tijolinho aparente, cimento queimado, cerâmica ou ladrilho hidráulico e a própria madeira rústica são boas alternativas.

3. A parede de tijolinho dá destaque para quadros e móveis.

4. Este banheiro tem o piso de pedra e um tapete de fibras naturais "esquenta" o ambiente. A parede é pintada em um tom neutro e com um acabamento de aspecto envelhecido.
Até agora falamos das cores e tipo de materiais e texturas que transmitem o conceito escolhido pelo Rafael. Agora vamos aos detalhes de como organizar esses elementos.
Ainda analisando a foto da sala, repare como está tudo próximo ao chão. Não temos uma distribuição vertical dos elementos. Quadros e uma luminária ajudam a “puxar” os olhos para cima e trazer mais harmonia visual. Inspire-se nas janelas coloridas de Tiradentes
O Rafael enviou uma foto de outro ângulo da sua casa, o corredor entre a sala, a cozinha e os quartos.

Olhando da sala, à direita temos a porta da cozinha e do quarto, e ao fundo o banheiro do Rafael.
A primeira coisa que me chama a atenção nesta foto são os tapetinhos na entrada dos cômodos. Qual o objetivo? Limpar os pés? Isso faz muito sentido em uma fazenda, mas num apartamento urbano reforçam aquele aspecto temático que falamos antes. E de improviso também, do tipo “eu tinha esse tapete, não sabia bem o que fazer e coloquei aqui”. Ele não parece ter sido escolhido especificamente para este ambiente, e até oferece perigo de escorregar ao sair da cozinha, por exemplo. A princípio não vejo necessidade de tapete nesse corredor, mas se a ideia é trazer mais aconchego, melhor seguir na linha do tapete da sala e em tamanhos maiores.
Ainda falando em proporções, os espelhos são pequenos para essa parede, e a distância entre os espelhos de um par é maior do que seu próprio tamanho, desconectando-os, eles parecem perdidos. Voltem lá na foto 1 e reparem nos espelhos para ter uma referência. Sem falar que eles não são muito a cara do resto do apartamento, né? Muito moderninhos e urbanos.
Basicamente, minha dica é: assuma o conceito por inteiro, sem medo de ser feliz! Mantenha-se sempre focado nos tipos de materiais, cores e sensações que você quer transmitir. Isso é muito mais importante do que o comprimento da cortina, acredite! (Aliás, sim, ela vai ficar mais bonita se encostar levemente no chão…)
Imagens: 1, 2, 3, 4