Entrevista e House Tour, com Helô Righetto

Heloisa Righetto

Hoje queria apresentar a vocês a Helô Righetto. A Helô é designer, já trabalhou na Tok & Stok mas, com as voltas que a vida dá, se viu morando em Londres. A partir daí se tornou uma pesquisadora de tendências e correspondente brasileira na Europa para várias revistas especializadas em Design e Decoração (inveja branca dela, viu?). Admiro muito o trabalho dela.

Ela tem um blog pessoal bem bacana, o Básico e Necessário. E vale a pena conferir, por exemplo, o guia de design que ela está fazendo para várias cidades do mundo. Enfim, achei vocês iam gostar de conhecê-la também… aproveitem!

Como você define o que é design?
Eu honestamente ainda não cheguei a uma conclusão sobre definição do design e pra falar bem a verdade, acho até melhor. Design é uma coisa tão abrangente, tão útil e intrínseca nas nossas vidas, que fica difícil falar em poucas palavras. Muita gente relaciona design com luxo, ou com móveis, ou com carros, ou com produção industrial. Normal, principalmente no Brasil, onde essa disciplina caminha a passos mais lentos. O que eu gosto de dizer é que o design deve servir ao homem. Seja em forma de uma bicicleta que te leve de casa ao trabalho, de uma batedeira que te ajude a fazer um bolo, ou de um abrigo provisório que vai ser de lar para pessoas que perderam tudo em desastres. 

E um bom designer? Você tem seus prediletos?

Acho que um bom designer precisa ser inquisitivo e bom observador. Achar soluções viáveis e simples, que possa ser compreendidas fora do mundinho do design. Não acho que um diploma seja essencial, na verdade sou um tanto quanto radical nesse assunto. As universidades ainda estão presas nesse negócio de gráfico ou produto. A gente sai da faculdade (falo a gente porque sou formada nisso) com a cabeça meio fechada, achando que precisamos trabalhar em uma fábrica para exercer nossa profissão. Cientistas, por exemplo, têm muito o que oferecer ao mundo do design, assim como professores, engenheiros. Detesto esses protestos contra a banalidade da palavra design. Por que não pode ser cake design? Ou design de unhas? Não vejo problema algum, ajuda a difundir o tema e auxilia o entendimento. Fazer um bolo é tão ou mais desafiador do que fazer uma cadeira, ser manicure requer um nível de atenção de detalhamento altíssimo. Que bobagem perder tempo com isso!

Mas, quanto aos meus preferidos: gosto muito do francês Mathieu Lehanneur, que sempre adiciona um quê de ciência em seus projetos. Admiro vários outros por razões mais estéticas mesmo, como o Sérgio Rodrigues.

E como é escrever sobre design justo em Londres?

É maravilhoso. Abri muito minha cabeça aqui, principalmente na questão do uso do design para servir ao homem. Aqui o design já está mais intrínseco na sociedade, e eles gostam de experimentar mais. Fora isso, aqui é bem claro que design combina muito bem com outras disciplinas, e eles estão interessados também no processo, ao invés de apenas pensarem no resultado final. Foi uma loucura quando cheguei, fiquei besta com a quantidade de exposições, eventos, estúdios… todo dia tem algo acontecendo, parece que o mundo quer vir a Londres para ver e ser visto. Então é minha tarefa agir como comunicadora e tentar passar um pouco do que vejo para o Brasil. 

pontos de interesse design londres

Qual a sua percepção da contribuição do Brasil no cenário de design mundial hoje em dia?

Acho que o Brasil tem que aproveitar esse momento “crista da onda” para aparecer. Eles conhecem muito pouco de design brasileiro aqui, de outros países latinos ainda menos. Por exemplo, eles sabem dos Campana, mas não sabem de Sérgio Rodrigues! Mas acredito que o interesse está crescendo, eles estão tentando nos conhecer melhor para aprender com a gente. 

O brasileiro sabe valorizar design? Quais as diferenças entre os europeus e nós, por exemplo?

Não gosto de fazer comparações, porque pode soar esnobe, sabe? Mas, basicamente, os europeus estão mais acostumados, não vêm o design como luxo. E os estudantes são muito mais interessados no fazer, no conceito. Penso que no Brasil a palavra design ainda causa estranhamento, ou como eu falei antes, seja diretamente ligada com produtos. Mas tudo no seu tempo, sou otimista e acho que a gente alcança esse nível de compreensão e aceitação.

Conte um pouco da decoração da sua casa?

Minha casa tem um pouco de tudo, uma mistura. Eu não gosto muito de fazer planta e pensar milimetricamente. Vou ajeitando as coisas que tenho, mudando de lugar. Gosto de lembranças, memórias. Gosto de luminárias espalhadas ao invés de iluminação direta, do teto.

Lembranças de viagens, mini cadeiras de design e mil detalhes que personalizam a decoração da casa da Helô. Comece a reparar nas luminárias espalhadas pela casa, todas diferentes, compondo a iluminação e contribuindo para a decoração do ambiente.

Gosto de ir pregando os quadros na parede sem ficar testando no chão antes (honestamente acho essa a dica mais pentelha das revistas de decoração). Tenho uma mesa de centro que achei no lixo e reformei ao lado de uma cadeira Eames, tenho uma outra cadeira comprada em um mercado de pulgas, móveis Tok&Stok, Ikea. Enfim, mistureba mesmo.

A poltrona Eames e a mesinha que foi encontrada no lixo

Tenho muito apego pelas coisinhas compradas em viagens e pelas coisas herdadas, como os vasos de porcelana da minha vó, a coleção de tampas cerâmicas da minha sogra, e o lustre e o relógio cuco dos meus sogros.

Uma coleção de lembranças de viagens mantém à vista a memória de bons momentos.

Confesso que também tenho apego pelas luminárias que desenhei na época que eu era designer da Tok&Stok e por uma poltrona Pelicano que comprei na loja de saldos da Tok&Stok, desenhada pelo Michel Arnoult. Ela é o cúmulo da simplicidade e demonstra perfeitamente aplicação de conceitos simples e o bom olhar do designer em relação ao processo produtivo.

Michel Arnoult

Esta é a poltrona do Arnoult. Reparou no quadro no chão? E no vasinho da orquídea que é um regador? E mais uma luminária.

Cortina estampada linda, móvel da TV nada óbvio e nichos organizados como quadros para guardar os CDs. E mais uma luminária. Não é uma casa aconchegante e com personalidade?

Quais seus projetos profissionais para o futuro?

Estreitar relações com as mídias que já trabalho no Brasil pra continuar escrevendo. Tenho um projeto muito bacana com o site da Casa Vogue, os guias 48 horas de design, que é meu xodó. Quero ver se desenvolvo isso melhor. Gostaria de ter uma coluna mensal em alguma revista ou jornal, sobre tendências do design. E também escrever um livro, mostrando como o design pode salvar vidas.

Boa sorte, Helô! Estou na torcida pelo seu sucesso e sempre acompanhando seu trabalho daqui do Brasil ;-)

Irmãos Campana no Theatro Municipal de SP

Esta semana o Theatro Municipal de São Paulo, totalmente reformado, comemora seu centenário. Inaugurado em 12 de setembro de 1911 com a intenção de incluir a cidade nos roteiros internacionais de óperas e concertos, sua arquitetura foi inspirada na Ópera de Paris. Com uma mistura dos estilos Renascentista, Barroco e Art Nouveau, a arquitetura e decoração do Teatro, que abrigou nada menos que a Semana de Arte Moderna de 22, transbordam luxo.

reforma teatro municipal sp
1. Os estofados e carpetes vermelhos da platéia foram reintroduzidos nesta reforma
E você consegue imaginar, no meio de tanta pompa e em um ambiente tão tradicional, o que os Irmãos Campana fariam quando convidados a decorar o café restaurante do teatro?
 
café do theatro municipal de sp

2. Este era o ambiente antes da reforma. Além de destruído, estava bem sem gracinha, não? Essa toalha de mesa azul marinho me lembra aqueles coffee-breaks de palestras da "firma", sabe? E esses vasos de plantas estavam bem improvisados, cá entre nós.

 Os designers se preocuparam em fazer um projeto com conceito: “multiplicar a visibilidade dos elementos arquitetônicos da sala e dialogar com eles”. Isso significa que a ideia não era chocar ou criar grandes contrastes, mas valorizar a arquitetura do Theatro.

café theatro municipal campana

3. E ficou assim! A reforma das paredes e do teto revitalizou o ambiente. As cadeiras e o layout básico foram mantidos, mas que diferença!

 Um primeiro olhar não acusa que foram os Irmãos Campana que passaram por ali. Eles atingiram o objetivo de dialogar com o restante do ambiente. A tom escuro da madeira das cadeiras se repete na bancada, na porta e nas luminárias. Assim como os tons dourados das pinturas das paredes e teto estão nas mesas e luminárias. A “conversa” fluiu.
 
mesa dourada do bar do Theatro municipal de sao paulo

4. Mas um olhar mais atento percebe que aquela bancada do bar agora é sinuosa e moderna. O espelho de bronze, presente também nos tampos das mesas, cumpre o papel de refletir a beleza recuperada dos afrescos, "multiplicando a visibilidade dos elementos arquitetônicos", super em linha com a proposta.

cafe restaurante do theatro municipal de sao paulo
5. Os formatos irregulares e assimétricos, bem característicos dos irmãos, estão presentes nas mesas, luminárias e espelho, criações da dupla. Esse toque de personalidade traz o ar de modernidade e ousadia, tirando o bar e restaurante do lugar-comum, mas não impede que a decoração continue super harmônica com a arquitetura clássica e luxuosa do Theatro.

Eu, que já era fã dos Irmãos Campana e sabia que fariam um excelente trabalho, confesso que fiquei surpresa (positivamente, claro) com a delicadeza e coerência com que eles fizeram este projeto. Lindo, elegante e harmônico, mas sem perder a ousadia ;-)

 
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Tapetes especiais para te aquecer neste inverno

Nesse frio que está fazendo em São Paulo eu sinto a falta que faz um tapete quentinho. Além de ajudar a compor o conceito do ambiente e unir cores e texturas, como mostrei no post “Como você escolhe tapetes?”, o tapete deixa o piso com um toque mais agradável para o inverno. Eu sinto falta. E um tapete bem escolhido pode ser o ponto alto de um ambiente, como se fosse um quadro importante. Escolhi 4 tapetes bacanas e diferentes para vocês se inspirarem, mas quem gostar pode clicar nos links dos designers que tem muito mais coisa bem bacana, vale a pena!

tapete pinoquio bolas de la colorido

1. Este é da Hay e se chama Pinocchio. Feito manualmente no Nepal e India, de bolinhas de lã pura multicoloridas. Tem de diversas combinações de cores, um pouco mais sérias e das mais divertidas.

Tem para comprar na Danish Design aqui no Brasil ou direto na Hay. Tem uma loja na Etsy que faz uns parecidos também. E vocês repararam no quarto infantil em tons de cinza e preto? O tapete colorido e a mesa vermelha deram o toque de alegria.

tapete para sala bege

2. Este tapete é da Esti Barnes e se chama Effervecence. A base é neutra e o colorido suave com cores básicas em degradê, o uso de círculos suaviza ainda mais a composição. Mas a assimetria, os diferentes tamanhos de círculos e as diferentes alturas da lã fazem dele um tapete especial.

Adorei a forma que as cores da sala se distribuíram verticalmente. O tapete continua como o centro das atenções, mas as cúpulas em laranja e as almofadas vermelhas distribuem o olhar para a suavidade do bege do restante da sala, uma delícia. Não sei onde encontrar no Brasil, mas quem produz os tapetes dela em geral é a Top Floor.

piso preto e tapete vermelho

3. Este é o Roses, da Nani Marquina. Pétalas de lã dão volume e movimento ao tapete, super romântico.

A sala ficou super moderna. Além dos sofás Togo brancos, mesinhas futuristas e luminárias bacanas, a posição não convencional do tapete (com um pequeno espaço até os sofás e descentralizado) ajudou bastante a completar a proposta.

sofa vermelho com tapete

4. Outro da Nani Marquina, da coleção Kala. Ela tem tapetes tão lindos que dá vontade de mostrar todos... depois dá uma olhada no site dela, no link 4.

O sofá em vermelho e laranja, pega emprestadas duas cores presentes no tapete, que ao mesmo tempo que demarca um espaço colorido e divertido, se mistura com o piso branco de uma forma muito harmônica.

Será que eu aguento passar este inverno sem um tapete??

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O caminho da balada

Uma escada sem graça não combinava com a proposta de ser o caminho para a balada – a sala de estar da casa. A parede gelo ganhou adesivos dos famosos personagens dançantes de Keith Haring e lá se foi o tédio…

adesivos de parede

Sua arte é simples e seus desenhos são cheios de movimento, tudo a ver com a proposta, não?

Keith Haring foi um artista e ativista social que marcou muito a street art na década de 80. Natural da Pennsylvania, trabalhou em Nova York onde ficou conhecido por seus desenhos em giz nas paredes das estações de metrô, mas teve seu trabalho reconhecido e exposto por todo mundo, incluindo o Brasil. Foi amigo e trabalhou com artistas importantes como Madonna, Basquiat, Andy Warhol e Yoko Ono.

Encontrei um post legal sobre ele AQUI, mostrando sua influência – uma jaqueta da Madonna, outra da Rihanna, uma loja da Tommy Hilfinger na Colette… se você não conhecia, prepare-se que ainda vai ver coisas dele por aí!

Visite o site dele também AQUI.

Túnel do tempo

Estou fazendo um curso bem bacana (Blogging Your Way) com a Holly, do decor8, conhecem? É um dos maiores, mais importantes e criativos blogs de design do mundo, inclusive está na minha lista de links, vale a pena conhecer para quem ainda não conhece. Estou aprendendo muito e me enchendo de ideias para deixar o Casa da Id&a cada vez melhor!

Esta semana ela deu um dever de casa pra gente que achei bem interessante e me fez passear por vários posts mais antigos aqui do blog que nem eu mesma lembrava e que adorei revê-los. Acho que vocês também podem curtir, portanto bem vindos à minha viagem no tempo… quero muito saber o que vocês acharem da viagem, hein?

Quando eu comecei eu ainda estava um pouco tímida e mostrei o trabalho dos meus designers de móveis favoritos. O primeiro post de todos foi Móveis Especiais – Arne Jacobsen.

Arne jacobsen

Um segredo: vamos comprar 2 Swans pra nossa sala nova!

Falei sobre vários designers clássicos e contemporâneos: Charles & Ray Eames, Irmãos Campana, Philippe Starck, Karim Rashid e Patrícia Urquiola, para citar alguns.

Fui explorando mais e descobri a Casa Rima, uma empresa de design têxtil que recentemente fez os tecidos decorativos do BBB. Eles adaptam os desenhos para uma variedade incrível de cores, é só escolher a estampa e as cores que eles fazem. Compartilhei com vocês AQUI.

Acho que vai ser esta a estampa de uma das Swans. Preta no assento e estampada nas costas, vocês gostam?

Por falar em estampas, adorei escrever o post Misturando Estampas, me demandou muita pesquisa e aprendi muito sobre como outras pessoas trabalham com estampas.

Acho que tirei o medo de muita gente, que começou a arriscar mais

Mas como esquecer do primeiro post sobre Cores na Decoração?

Esta foto fez tanto sucesso que rendeu um post sobre a combinação do roxo com o amarelo

E aí eu fui me soltando mais, o blog foi evoluindo. E um post que me inspirou para criar mais e foi um divisor de águas para mim foi o Azul Avatar. Passeei pela direção de arte do filme, da aplicação das cores para transmitir sensações e mensagens, falei de como contar uma história com arte. E o que isso nos ensina para aplicar em Design de Interiores.

O azul turquesa e o verde fazem uma combinação harmoniosa, o marrom traz aconchego.

De lá pra cá falei de hotéis, cortinas, de aplicação de cores, porcelanato no piso e muitos outros assuntos, mas agora é a vez de vocês me dizerem qual post foi importante para vocês, que tenha ajudado a tomar alguma decisão, tenha sido uma fonte de inspiração ou simplesmente deu prazer ao ler. Estou louca para saber!

Que cadeiras utilizar com a mesa Saarinen?

Gente, ganhamos uma mesa Saarinen! Agora estamos decidindo que cadeiras comprar para compor a sala de jantar.

Para quem não conhece, Eero Saarinen foi um arquiteto e designer finlandês, nascido em 1910. Ele desenhou vários móveis que hoje são ícones de design. Para conhecer mais visite o post sobre ele AQUI. Um desses móveis é a mesa Tulipa que é também chamada simplesmente de mesa Saarinen. Ele achava que todas aquelas pernas de mesas e cadeiras convencionais poluíam visualmente o ambiente. O conjunto de mesa e cadeiras Tulipa é pura elegância, cada peça é suspensa por um pedestal central, deixando tudo muito mais clean, mais leve.

mesa de jantar com cadeiras tulipa saarinen

Ela pode ter o tampo de mármore, madeira de todo tipo, inclusive pintada, do jeito que você preferir. Mas não são só as cadeiras Tulipa que dão certo com esta mesa, que é atemporal e super neutra. Se você quiser continuar com peças de design da mesma época existem várias alternativas.

saarinen

Mas se você não quer deixar a sala de jantar toda Bauhaus, ou acha que fica muito retrô, vá de Philippe Starck e suas cadeiras Ghost, em acrílico. Repare como a leveza da mesa é reforçada pela transparência das cadeiras no piso branco.

mesa saarinen

Mas podemos fazer contrastes interessantes com cadeiras convencionais bem escolhidas, olha só.

mesa saarinen com cadeiras de madeira

E aí? Qual você gosta mais? Ou você tem novas sugestões?

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Série Cozinhas: Armários

Se tem uma coisa que não pode faltar em cozinha nenhuma é armário. Eu sonho com o dia que não vou ter que guardar todas as panelas encaixadas por tamanho e, na hora de cozinhar, ter que tirar todas para escolher a certa. E sonho também com o dia que o Sucrilhos não vai ficar ao lado da salsinha seca, e que a diarista vai guardar tudo no lugar certo!

Eu sei que não dá pra ter tudo, e que armário é caro… mas existem soluções muito criativas.

buffet armario com caixas de feira

1. Este armário / buffet é da Linha José, do Maurício Arruda, feita de caixas de feira. Você pode criar a sua.

armario de cortina

2. Prateleiras sob a bancada podem ser protegidas por cortininha. Esta é colorida e combina com o astral da cozinha, mas pode ser de tecidos mais neutros. Fica super romântica.

armario cozinha

3. Não acredita? Olha que visual moderno.

Sabe aquela cristaleira velha, ou o armário da fazenda que você não tem coragem de usar?

4. Restaure um móvel antigo, pinte a madeira de branco ou de cores divertidas, forre o fundo com um tecido estampado ou mesmo deixe a madeira ao natural. A peça pode compor uma cozinha mais tradicional ou fazer um forte contraste com a cozinha bem moderna e minimalista. Fica demais.

Você já deu uma solução criativa para os armários da cozinha? Conta?

E se você optar pela cozinha planejada, mesmo, tenho algumas dicas preciosas sobre o canto do armário. Sim, aquela esquina da bancada, aquele espaço enorme que ninguém sabe como aproveitar. Existem algumas alternativas no mercado hoje em dia, super tecnológicas e bem caras. Mas nem sempre são a melhor decisão a se tomar.

5. Design tem que ser funcional...

Como eu sou nerd, resolvi calcular quanto se perde de espaço de armário com cada uma dessas soluções mirabolantes oferecidas pelas lojas de móveis planejados. O cálculo aproximado foi feito em litros, para você imaginar bem fácil o tamanho da perda. É só pensar no número de caixas de leite longa vida que você poderia guardar nesse espaço, e isso se traduz em panelas, pratos, bacias, sacos de arroz, etc.

armario de cozinha canto

Não fazer nada e simplesmente perder o canto vai te custar 250 litros. Pelo menos você não gasta dinheiro.

grade circular armario cozinha

Uma estrutura de bandejas rotatórias vai te roubar 180 litros. E se cair um tupperware da bandeja, você vai ficar que nem o cara da foto aí de cima procurando.

gaveta no canto do armario de cozinha

Fazer gavetas diagonais vai te custar caro e você vai perder o mesmo espaço do que se não fizer (nem gastar) nada.

Já viu uma estrutura de caixas que se movimentam ao abrir a porta do armário? 300 litros pro lixo!

Portanto, a minha sugestão é gastar dinheiro com o que vai te trazer benefício real e não se deixar levar pelas engenhocas carésimas que prometem praticidade infinita. A não ser que você tenha espaço e dinheiro sobrando. Alguém?

canto com prateleiras na cozinha

Abrindo mão de 70 litros você faz uma prateleira prática e economiza bastante.

Mas se você está naquela situação maravilhosa de poder escolher o que for mais legal, independente do preço, eu tenho uma sugestão…

bancada de cozinha moderna

6. A bancada de inox é quase uma mesa, super leve, no meio do ambiente social. Zero cara de cozinha.

7. E quando precisar, você abre os armários, em 3 camadas, com tudo sob medida e à mão. Isso, sim, é pensar fora da caixa... claro que tem alguns inconvenientes, mas se você fizer uma assim, me chama pra jantar?

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Série Cozinhas: Ilhas Paradisíacas

Um dos posts que eu mais gostei de fazer até hoje foi um sobre o triângulo de trabalho na cozinha, AQUI. Lembrando que o triângulo é imaginário e deve se formar entre as 3 áreas de trabalho na cozinha: cozinhar, lavar e armazenar a comida, o que se traduz em linhas gerais por fogão, pia e geladeira. O layout é importantíssimo para que a cozinha seja funcional e eficiente, minimizando a distância e eliminando obstáculos entre as áreas mais importantes de trabalho.

E quando estamos falando de cozinha integrada o layout da cozinha ganha uma nova variável: a interação com os convidados, que não estão cozinhando. Quem tem a sorte de construir ou reformar totalmente um imóvel pode escolher o layout com mais liberdade e, cada vez mais, tem optado por construir ilhas. Mas, fazer uma cozinha com ilha não é simples. Ao se decidir por um layout, deve-se considerar as diferentes necessidades de infra-estrutura – elétrica, hidráulica e/ou gás encanado. Afinal de contas, se não tem mais parede, toda a tubulação e fiação tem que chegar até os equipamentos pelo piso. Isso dá trabalho.

cozinha americana

A parede da cozinha em U pode ser parcialmente eliminada formando uma quase-ilha, diminuindo a necessidade de quebra-quebra no piso (1)

A ilha pode ser somente um espaço de trabalho da cozinha, abrigando a pia e/ou o fogão, ou simplesmente dar mais espaço para cortar legumes e abrir uma massa. Mas também permite receber as pessoas que não estão cozinhando, sem que elas fiquem no caminho do chef.

sala integrada com cozinha

Esta ilha tem a função de ser uma área de trabalho para o cozinheiro/chef, mas permite acompanhar a conversa que rola na mesa de jantar (2)

ilha de cozinha

Já nesta, os convidados acompanham de perto o processo todo, do outro lado. A vantagem é que quem está cozinhando fica de frente pra todo mundo (3)

Repare que a altura da bancada da cozinha não é a melhor do mundo para se fazer uma refeição, fica incômodo. Os banquinhos de bar são uma solução para bater um papo informal enquanto se prepara a refeição. Na hora de comer de verdade, uma mesa de jantar com cadeiras, em uma altura mais ergonômica, vai fazer falta.

bar na cozinha

Uma bancada mais alta traz um pouco mais de conforto para quem fica nos bancos, mas ainda assim não é a solução mais confortável, com os pés pendurados. Pense bem na sua rotina, se esses banquinhos depois não vão ficar aí só ocupando espaço, inúteis (4)

cozinha com ilha

Não tenho certeza, mas parece que tem um banco de madeira atrás desta ilha, o que seria demais. Eu adorei a solução de colocar um painel de vidro atrás do cooktop, é uma forma de proteger os "espectadores" dos perigos do fogão sem interferir na estética (5)

Mas se você quer unir a sala de jantar à cozinha, mesmo, existem soluções bacanas.

bancada na ilha da cozinha

A mesa pode ser a extensão da ilha, em uma altura mais ergonômica. A coifa, centralizada, equilibra visualmente toda a cozinha sendo seu ponto focal, ao centro. As linhas retas e paralelas, com distâncias proporcionais, dividem o pé direito de forma quase simétrica, uma cozinha linda visualmente. Mas eu teria tentado encontrar outra solução para evitar deixar o cooktop tão perto da mesa de jantar... (6)

ilha de cozinha

Por falar em coifa e design, olha que solução genial para quem não quer que a coifa seja o centro das atenções - depurador embutido no gesso! Fica com cara de sala, super integrada com o resto da casa (7)

ilha de trabalho

Mas cuidado para a ilha não ficar no meio do caminho, quebrando o triângulo de trabalho entre a pia, o fogão/forno e a geladeira, como neste caso. Aqui, na minha opinião, a ilha só ocupa espaço e atrapalha (8)

Espero que você tenha a sorte de poder ter a sua ilha particular ;)

Imagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8

Habitat 67 – arquitetura em Montreal

Estive em Montreal para um evento na semana passada (claro que tirei fotos do hotel para mostrar pra vocês – aguardem) e olha a vista que eu tinha:

vista do hotel Montreal Intercontinental
Nessa ilhazinha do meio fica um complexo arquitetônico muito interessante – o Habitat 67

O Habitat 67, resultado da tese de mestrado do arquiteto Moshe Safdie, fez parte da Expo 67, cujo tema foi “O Homem e seu Mundo”.

Arquiteto Moshe Safdie

Este é o complexo Habitat 67, parece um monte de casinhas empilhadas, formando um edifício

Moshe buscava soluções para os desafios urbanos de moradia e criou um sistema modular tridimensional pré-fabricado. Os módulos se combinam de várias formas para criar 16 tipos diferentes de apartamentos, todos com um jardim. O complexo tem 158 apartamentos de diferentes tamanhos.

Repare como os módulos se encaixam e como cada apartamento é diferente do outro

 Mas todo mundo tem sua varandinha para curtir o sol. O mais legal é que, apesar de serem módulos iguais, cada apartamento pode ser adaptado quase livremente ao estilo do dono. As paredes podem ser quebradas e o número de módulos é ao gosto do freguês, uma família que mora lá há bastante tempo foi comprando vários vizinhos e incrementando a casa aos poucos.

Este é o jardim de um dos apartamentos

No site do Habitat 67 tem fotos de alguns apartamentos reais, mostrando como cada um transformou o padrão a seu jeito, vale a pena dar uma olhada.

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Cozinha Sustentável no BGourmet

Whydesign

Esse é o Guto Requena.

Outro dia meu marido chegou em casa e encheu a boca: “Hoje eu conheci o Gu-to Re-que-na!”, mas ele não esperava a minha resposta super espontânea: “o Guuuuuutooo?? Que saudades…”. Ele ficou com cara de confuso e eu o lembrei quem era o Guto, pelo menos pra mim.

Ele foi meu primeiro professor de Design de Interiores e, acho que ele sabe, uma das pessoas mais importantes na minha formação. Até hoje acompanho os blogs que ele me apresentou e sempre lembro da paixão que ele tem pelo significado, que virou uma paixão minha também. Foi ele que me ensinou o que poucos decoradores sabem usar: o conceito. Mas este post ainda não é sobre o Guto.

Guto, Tatiana e Maurício.

WHYDESIGN: Guto, Tatiana e Maurício.

No ano seguinte o meu professor foi o Maurício Arruda. Infelizmente foi um ano atípico e o Maurício ficou pouco tempo com a minha turma, mas deu pra perceber como existia uma sintonia boa entre os dois. Eles eram amigos e já trabalhavam juntos em alguns projetos. Hoje em dia eles trabalham também com a Tatiana Sakurai, com quem infelizmente não tive a oportunidade de estudar.

Eles são a WHYDESIGN. E fizeram a cozinha funcional do BGourmet na Casa Cor 2010 em São Paulo.

cozinha sustentavel

O conceito adotado foi o da "Casa Feliz" - um ambiente contemporâneo carregado de memória.

Logo na entrada tem um lounge que foi transformado numa grande galeria de artes visuais. Passando a porta pivotante você entra na cozinha, onde são os cursos de culinária do BGourmet.

O que é fantástico disso tudo é que o Guto sempre se mostrou incomodado com a existência desses eventos gigantescos como o Casa Cor, que geram montanhas de resíduo e não ajudam em nada a sustentabilidade do planeta. Eu nunca imaginaria ver justo o Guto expondo um ambiente ali. Mas eles souberam aproveitar a oportunidade para passar o recado: “priorizamos atitudes projetuais que minimizassem o impacto ambiental, instigando a reflexão dos participantes do evento sobre a necessidade de atitudes mais sustentáveis”.

Reparou na palavra que está destacada na parede azul? Reuso. E é impressionante como eles conseguiram reaproveitar de tudo e construíram um ambiente lindíssimo. Isso, sim, é conceito. E isso, sim, é sustentabilidade.

portas antigas

A porta pivotante na entrada, enorme, foi construída a partir de portas velhas largadas pela cidade.

madeira de pallet

O piso é de restos de pallets recolhidos no CEAGESP, paginados em forma de escama de peixe.

granito reaproveitado

A bancada funcional é uma colagem de 8 bancadas de granito ou mármore abandonadas em caçambas e depósitos pela cidade.

armario sustentavel

Uma das paredes foi coberta de pequenos móveis velhos, recheados de memórias, com aquele ar de casa da avó. E são eles que abrigam os eletrodomésticos super modernos da Brastemp.

linha jose

Este aparador é da Linha José, do Maurício Arruda, tem tudo a ver com o conceito. As caixas de feira fazem as vezes de gavetas mas também podem ser transportadas para a mesa ou para as compras ;-)

Narciso

Esta pia foi feita com um tonel velho e um espelho no fundo. O nome da peça? Narciso: cuidado para não se afogar, do Guto.

parede cinza quadros

Além de obras pessoais e fotografias da infância dos arquitetos, o ambiente está decorado com mobiliários de designers brasileiros contemporâneos, peças vintage e mobiliário de papelão reciclável. Essa mesinha feita de "metros" de lojas de tecidos virou o novo sonho de consumo do meu marido.

A curadoria da galeria de artes visuais, no lounge, é do artista e fotógrafo Felipe Morozini e tem apoio do acervo da Galeria Mezanino.

Vale a pena dar um pulo lá e ver o resultado fantástico que eles conseguiram em cada detalhe. Tem gente (muita gente) dizendo que este foi o melhor ambiente da Casa Cor São Paulo este ano. E talvez o único realmente sustentável.

Projeto: WHYDESIGN -> Guto Requena + Maurício Arruda + Tatiana Sakurai

Fotos: Fran Parente

Casa Cor

BGourmet