A Ana, leitora do blog, me mandou um e-mail pedindo ajuda para decorar sua sala. Já está mobiliada mas ela acha que ainda estão faltando cores e texturas. Eu adorei o “problema” e fiz um post gigante, quase um projeto inteiro, rss. Espero que vocês gostem.

1. Esta é a sala da Ana hoje.
Trocamos alguns e-mails para que eu pudesse entender o que ela espera da sala e chegamos em um conceito. Ela ainda me mandou várias fotos com referências de salas que ela adora e de outras que ela não gosta.

2. A Ana gosta de ambientes mais aconchegantes, convidativos, cheios de detalhes charmosos, tapetes, tecidos e texturas. Nada de minimalismo e ambiente clean.
E o que falta na sala dela? Justamente o pulo do gato entre o super clean e o super aconchegante.
O layout
A sala está dividida em 3 ambientes. Se o sofá de costas para a sala de estar não deixou claro, o forro de gesso reforça bem onde começa e onde termina cada ambiente. Tudo separadinho.

3. Olha como um sofá de costas para o outro quebra o clima. Parece um auditório, todo mundo olhando pro mesmo lado, nada integrado.

4. E quem está na sala de estar fica de frente para a TV e de cara com as costas do sofá, nada aconchegante. O piano, peça importante para o casal, está ainda em um outro ambiente, ao lado.
Acho importante dar uma mudada no layout. As salas são integradas fisicamente, mas visualmente o ambiente está truncado, sabe? Encostando o sofá bege na parede da janela, alinhado com a lateral do sofá cinza, vai ficar tudo mais gostoso. E a sala fica preparada para encontros maiores sem que algumas pessoas fiquem de costas para as outras. Mas vale tentar outras configurações. Chame a turma para carregar sofá e ir testando onde fica melhor.
Eu traria o piano para dentro da sala. Mesmo. Não deixá-lo ao lado. Colocaria como se ele fosse um sofá ou uma poltrona, participando da roda, sabe? A Ana e seu marido são músicos e adoram receber seus amigos em ensaios. Música faz parte do dia-a-dia deles e dar destaque ao piano é uma forma não só de demonstrar isso na decoração como também de incluir o pianista na roda de amigos.

5. Tocar com os amigos vai ficar mais agradável se todos estiverem mais próximos e num ambiente amigável e confortável.
E a sala dividida vira uma sala só, bem grande.

6. Um exemplo de sala de estar bem grande, em que um banco ou recamier divide o ambiente mas deixa tudo integrado visualmente. O piano poderia ficar no lugar do sofá de couro marrom, participando, mesmo, da sala.
Mas não podemos esquecer do forro de gesso. Aquelas linhas divisórias devem conversar com o ambiente aqui de baixo de alguma forma, ou vamos criar aquela sensação de “tem algo estranho mas não sei o que é”. Para isso, um forro liso seria mais interessante, mas um banco ou mesinha central podem ficar alinhados com a divisão no teto. Seria uma alternativa para evitar gastos com reformas.

7. A TV e demais aparelhos podem ficar escondidos em um móvel com portas para não atrapalhar o visual charmoso que queremos criar.
E o lugar atual do piano pode virar um lindo hall de entrada, recebendo os visitantes com bastante charme. Os moradores podem exibir seus instrumentos musicais ali, por exemplo.
As cores
A paleta de cores atual inclui o branco, tons de marrom e cinza, e um vermelho terroso.

8. A combinação de cores está um pouco apagada, sem vida.
Reparou como tem muito branco? Ele ilumina e amplia, mas deixa tudo mais frio. Paredes em um tom mais fechado ajudariam a aquecer o ambiente, deixá-lo mais aconchegante. Uma opção é usar o tom do sofá da sala de TV em todas as paredes brancas.

9. O papel de parede e o teto seguem o tom das cadeiras e cortinas. Bem harmônico e aconchegante. O forro de gesso pode entrar na dança e receber um tratamento de cor que também realce suas molduras. E se você voltar lá na foto 1, vai ver outro exemplo de paredes em cores neutras que aquecem o ambiente.
Tirando o excesso de branco, vamos falar agora de adicionar vida e movimento, que é o que a Ana quer no fim. Observei que as cores dos dois sofás são, incrivelmente, complementares. Então fui buscar a cor complementar à da parede tijolo para manter a mesma linguagem – um azul acinzentado.

10. Este tipo de composição é uma dupla complementar – azul e marrom + cinza e bege.
Acessórios neste tom de azul trarão um toque de cor inesperado e vão “fechar” a composição com elegância. Ao escolhermos estampas para os acessórios e tecidos, podemos passear por todos os tons entre este marrom avermelhado e o bege. Elas são cores análogas, bem próximas no círculo cromático. O mesmo vale para tons entre o cinza e o azul acinzentado.
Os acessórios
Para dar uma animada nessa sala, precisamos de tapetes, almofadas, luminárias e detalhes nas paredes. A Ana comentou que adora os projetos da Candice Olson porque ela mistura estampas e texturas, enriquecendo os ambientes. Fui lá ver e encontrei tapetes desenhados por ela, lindos!

11. Um tapete bem grande, cobrindo o piso de toda a “nova” sala, pode ser uma excelente fonte de cor e/ou textura, além de ajudar a integrar visualmente os ambientes.
Definir o tapete muitas vezes não é uma tarefa trivial, mas dá pra aprender. Tem um post ensinando a escolher seu tapete aqui no blog que vale dar uma olhada.

12. Escolhi esta foto para ilustrar o que eu sugiro fazer na sala da Ana: usar o tapete para integrar as cores sólidas que estão perdidas pela sala – o cinza, o bege e os marrons – e adicionar o elemento azul. Assim como este tapete uniu o verde do sofá, o rosa da poltrona e trouxe um azul pra complementar. Aliás, voltem lá na foto 1 de novo, reparem no tapete 
Existem fornecedores de tapetes em nylon que oferecem os desenhos prontos e você só escolhe as cores. Leve a amostra de cores para casa para escolher tons que sejam iguais às cores que já existem na sala, desta forma você elimina o risco de sua memória te trair e você acabar com um tapete que não se encaixa no ambiente.
Sobre o medo de misturar estampas e texturas, é super normal e compreensível. Sugiro ler o post sobre mistura de estampas aqui do blog para começar nessa aventura.
Uma forma de não errar é usar cores existentes no ambiente em estampas bem diferentes, em formatos e tamanhos, da estampa que já existe. O tapete em listas diagonais, por exemplo, nem vai se incomodar com a poltrona de desenhos mais circulares.
Você já tem algumas cores sólidas e uma estampa nas poltronas que une o preto e o cinza, é só seguir unindo as cores dessa forma.

13. Os quadros e almofadas têm diversos padrões totalmente diferentes, mas os tons de marrom, sempre presentes, fazem deles um conjunto coeso.
E estão lembrados que hoje existe um quadro com bastante azul acima do sofá cinza? Acessórios que contenham essa cor vão “puxar” essas informações do quadro, distribuindo a atenção ao redor do ambiente.

14. Parede e banquetas listradas em diferentes padronagens, almofadas de todo tipo. Mas o lilás, o cobre e/ou o cinza estão sempre lá, inclusive nos quadros e nas poltronas.
Ainda temos algumas cartas na manga: quadros, luminárias, objetos decorativos em mesinhas laterais ou prateleiras, cortinas… um milhão de possibilidades. Mas todas podem seguir neste mesmo esquema, na mesma paleta e promovendo a mistura de texturas e estampas.
Ufa! Acho que consegui dar algumas ideias, né? Resumindo, larga esse medo pra lá, sala sem um pingo de ousadia é sala sem vida… vocês não acham?
Imagens: 5, 6, 7, 9, 12, 13, 14
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