Lina Bo Bardi – você conhece e não sabia

Postado por: Manu Mitre
27 de January de 2010

Foi ela que desenhou o edifício do MASP (Museu de Arte de São Paulo), do qual seu marido foi curador entre 1947 e 1996. A arquiteta mais importante do Brasil, atrás apenas de Oscar Niemeyer.

arquitetura vao livre

Suas construções frequentemente apresentam extensos vãos livres. O MASP é suspenso apenas pelas estruturas laterais.

Achillina Bo era uma arquiteta italiana, nasceu em 1914 e se naturalizou brasileira em 1951. Veio para o Brasil em 1946, depois de casar com Pietro Maria Bardivia. O casal via no Brasil um país com perspectivas de prosperidade e cenário de uma arquitetura talentosa e promissora, ao contrário da Europa, em reconstrução pós-guerra.

Ela morreu em 1992 na sua Casa de Vidro, a primeira residência construída no Morumbi, em 1951.

lina bo bardi

A Casa de Vidro, 1951.

Como planejado em seu projeto, as plantas retiradas para a construção da casa foram replantadas.

lina bo bardi

A Casa de Vidro, hoje em dia. A área de 7.000 metros quadrados, tombada, tem espécies raras da Mata Atlântica.

Seu envolvimento com a cultura do país foi enorme e ela se considerava “duplamente brasileira”, sendo a nacionalidade que escolheu. Nos seus projetos podemos perceber o impacto do encontro de sua formação erudita européia com a busca das fortes raízes culturais brasileiras: racionalismo e economia de meios com falta de recursos tecnológicos.

lina bo bardi

SESC Pompéia – construído a partir de uma antiga fábrica, sua proposta é ser um centro cultural e esportivo, de “encontro social do proletariado”.

Suas criações são modernas e não tem compromisso com regras ou estereótipos estéticos, muito pelo contrário. Ela liderou movimentos culturais e sociais reconhecendo a arte do brasileiro anônimo, e incluindo-o no circuito artístico com seu devido valor.

 

lina bo bardi

Vista das entradas laterais do SESC Pompéia. Nada convencionais, simples e lindas.

Lina Bo Bardi também desenhou móveis fantásticos, muitos dos quais ainda estão na Casa de Vidro.

lina bo bardi

Cadeira Bowl. Te lembra algum modernista?

cadeira lina bo bardi

A cadeira Frei Egídio mostra claramente sua racionalização no uso de materiais. Foi feita em conjunto com Marcelo Ferraz e o Marcelo Suzuki.

design lina bo bardi

Mesa e cadeira Girafa. Racionalismo puro, bem modernista. Também em conjunto com Marcelo Ferraz e o Marcelo Suzuki.

Fontes: Instituto Bo BardiDwellVitruvius / Arquitextos

Categorias: Arquitetura, Cadeira, Decoração, Design, Mesa, Perfil, Poltrona, Vidro
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  1. Roberta
    27/01/2010

    Agora virou mania! Entro no meu gmail só pra ver se tem alguma novidade no seu blog! Estou amando!!!
    bjks

  2. Ivana Garcia
    28/01/2010

    Manu!!! Genial, amo a arquitetura da Lina e o Sesc Pompéia e o Masp são visitas indispensáveis a um turista em São Paulo, a genialidade do Sesc é indiscritível e como aquele lugar funciona!!!
    Pena que o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi estava numa situação meio ruim e a casa de vidro meio abandonada… disseram que iam fazer uma restauração, mas não sei a quantas anda!
    Dois comentários, é impostante dizer que as cadeiras Frei Egídio e Girafa foram projetada pela Baraúna, com criações em conjunto da Lina com o Marcelo Ferraz e o Marcelo Suzuki, e ainda podem ser compradas na loja da Baraúna que o Marcelo Ferraz mantém. E na introdução não restringiria os grandes arquitetos “brasileiros” a Lina e Niemeyer, colocaria tb o Reidy, o Artigas e o Paulo Mendes para dar uma bela resumida!
    Perdi alguns posts no meio do caminho, mas este precisava de uma paradinha! hehehehe
    Sugestão de post: Burle Marx!!!! Tudo de bom em matéria de paisagismo!
    Bjosss

    • Manu Mitre
      manumitre
      28/01/2010

      Pois é, Ivana… é triste que a Casa de Vidro esteja abandonada. O próprio site do Instituto está bem desatualizado também. Vou atualizar as informações das cadeiras, muito obrigada e vê se aparece mais, sua participação é importante!
      bjos
      Manu

  3. casalalvarenga
    17/02/2010

    A Casa de Vidro parece a casa daquele filme “Curtindo a Vida Adoidado”, onde ele rouba o bolido vermelho.

  4. Rodrigo
    19/05/2010

    “O essencial da arquitetura é fornecer uma alternativa Não vou chamar a isto de refúgio, mas digamos que é um ‘recipiente da existência’, um recipiente da existência que traz um outro nível de alegria para a vida… A realidade da arquitetura é a do concreto, do físico e do espacial. E também do som, o cheiro, todas essas coisas fantásticas que vêm da construção e da experiência de fazer arquitetura.
    Ah, mas é preciso haver alguém que possa tomar essa decisão”

    Stephen Holl