Niemeyer em Ravello

Estive na Itália em 2007, quando me hospedei na cidade de Ravello. Na época, existia um projeto do Niemeyer para um auditório belíssimo, mas nem estava em construção direito. Imaginamos que ele ainda demoraria anos para ficar pronto. Mas, gente, adivinhem! Ele vai ser inaugurado HOJE!! E eu preciso compartilhar isso com vocês… Serão 3 dias de concertos musicais, cinema e dança. Eu dava tudo para estar lá…

ravello

Os rascunhos de Oscar Niemeyer.

Ravello fica na Costa Amalfitana, uma região de penhascos de frente para o Mediterrâneo. As cidades mais conhecidas na região são Amalfi, Sorrento, Positano e a ilha de Capri, além de Ravello, claro. Ravello não tem saída direta para o mar e sua vocação é a música, abrigando festivais e concertos durante todo o ano. Não existia lugar melhor para um auditório, realmente.

por do sol

Um concerto em Ravello, antes feito a céu aberto - Città della Musica.

O auditório foi encomendado em 2000 por Domenico de Masi, o que escreveu “Ócio Criativo”. A construção demorou tanto por alguns motivos. A cidade tem apenas 2.500 habitantes e tinha uma lei que proibia novas construções, uma forma de preservar o patrimônio cultural e as características da cidade.

“A última grande construção em Ravello foi a Vila Rufolo, no século XI, que marcou a entrada da cidade no segundo milênio”, disse De Masi à BBC Brasil. Baseada nessa legislação, a organização Itália Nostra, voltada para a defesa do patrimônio cultural, histórico e ambiental do país, acionou a Justiça para impedir a construção do auditório. {Terra}

OBS – Algumas fotos estão em alta resolução, vale a pena esperar.

 

Villa Rufolo

A Villa Rufolo. E eu ali, em cima de um precipício de frente pro mar. Lindo.

 

niemeyer

A estrutura de concreto em forma de concha se destaca na paisagem, e pode ser vista de longe. Dá pra entender a polêmica, né? Niemeyer não passa em branco.

Entendo a posição da organização Italia Nostra, mas nada como um Niemeyer para entrar no terceiro milênio, hein?

ravello

A entrada do auditório

auditorio

Ele flutua sobre o penhasco.

por do sol

A vista deve ser parecida com esta, na Vila Rufolo também.

Internamente, as paredes e os tetos foram cobertos de placas onduladas de acrílico. Esse material, aliado ao formato côncavo do salão, garante uma reverberação sonora perfeita. O piso é de parquet (pedaços de madeira de tamanhos variados). As poltronas foram desenhadas pelo próprio Niemeyer e produzidas pela fábrica italiana Frau, uma empresa de design de grande projeção internacional. As cadeiras são revestidas com uma tela especial em quatro tonalidades diferentes de azul, reproduzindo as cores do mar. {Terra}

 

cadeira de auditorio

A cadeira utilizada no auditório foi idealizada por Niemeyer e executada por Ricardo Antonio.

 

Ai, ai, que dorzinha de não estar lá pra ver tudo isso… alguém me dá uma carona pra Itália?

Fontes:

Site Oficial

Terra

Frau

Design Boom


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Sobre Manu Mitre

Sou Engenheira Química e Designer de Interiores. Sim, sou super generalista e me envolvo em todos os assuntos que existem, adoro. E isso dá um resultado muito interessante. Comecei com o meu próprio apartamento, mudando até a cozinha de lugar. E ficou sensacional, sem falsa modéstia. Criei o Casa da Id&a em 2009 para mostrar um pouco o que eu acredito ser Design de Interiores de verdade – inspiração, design e arte. Sem “pode” ou “não pode”, o que importa é a mensagem e a sensação que o ambiente transmite. E você, qual mensagem quer passar?

7 thoughts on “Niemeyer em Ravello

  1. Muito bonito mesmo o auditório, mas eu acho que iria me juntar à italianada e bater o pé! Mexeu demais com a paisagem do lugar!

  2. Fico com a Vila Rufulo. Até, então, a última grande construção de Ravello. Não gosto da arquitetura de N. É saber das notícias sobre a acústica e outros detalhes que fazemum bom auditório. Certamente a ênfase foi plástica e de uma estética intervencionista.

  3. Meninos,

    Eu entendo o incômodo e até concordo com a questão da intervenção estética na paisagem. Não tem certo e errado aqui, somente opiniões.

    Mas eu tenho que admitir que gosto mais do que desgosto. Daqui a mil anos, quando a arquitetura for totalmente diferente do que é hoje, vamos ter um pouco mais de história na paisagem. Pode não parecer tão legal agora, nós vemos Niemeyer em todos os lugares, tem gente que cansa dele. Mas não podemos negar que é uma forma de expressão artística do nosso tempo e que será entendida e apreciada por muitos séculos por vir.

    E por que a paisagem de mil anos atrás seria mais bonita do que a mistura da evolução da nossa sociedade ao longo dos séculos?

    Manu Mitre

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